TCU rejeita contas do governo Dilma de 2014 por unanimidade
Uma hora e meia antes do julgamento, saiu a decisão. O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, negou os pedidos do governo que queria suspender a análise das contas da presidente Dilma Rousseff de 2014 e também o julgamento sobre o pedido de afastamento do relator, ministro Augusto Nardes - que o governo acusa de ter antecipado o voto. Na decisão, Fux disse que uma manifestação sobre o mérito de um processo não implica interesse no julgamento. No plenário do TCU, os ministros analisaram primeiro o caso do relator, Augusto Nardes. O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, se posicionou para falar, mas o presidente do tribunal, ministro Aroldo Cedraz, não permitiu. Adams protestou. “Deixo registrado o protesto. Entendemos que há necessidade de esclarecimento dos fatos”, disse Luís Adams. Por unanimidade, o TCU seguiu a posição do relator Raimundo Carreiro e negou o pedido pra trocar o relator das contas de Dilma.“Nada, absolutamente nada há nas declarações do ministro Nardes que revele alguma novidade ou que configure o adiantamento de juízo de valor sobre a manifestação apresentada pela presidente da República”, afirmou Raimundo Carreiro, vice-presidente do TCU. Augusto Nardes apontou supostas irregularidades que somam mais de R$ 100 bilhões. Desse total, R$ 40 bilhões das chamadas pedaladas fiscais, que permitiram que o governo escondesse um rombo de R$ 40 bilhões no orçamento entre 2012 e 2014. O governo admitiu que atrasou o repasse a bancos públicos que faziam o pagamento de benefícios sociais, como o Bolsa Família. No entendimento do relator, os bancos financiaram o governo, o que é proibido. O ministro André Luiz de Carvalho criticou a entrevista coletiva dada por três ministros de Dilma no fim de semana, quando o governo anunciou que pediria o afastamento de Nardes. “Não me recordo jamais ter visto três ministros de estado comparecerem em um domingo pra uma coletiva de imprensa atacando a conduta de nenhum ministro. É bom lembrar que o Artigo 12 do Código de Conduta da Alta Administração prevê que é vedada a autoridade pública opinar publicamente a respeito da honorabilidade do desempenho funcional de uma autoridade pública federal”, disse André Luís de Carvalho. O advogado-geral da União, que participou da entrevista, rebateu. “A questão da suspeição é um tema de fato público que exige das autoridades e daqueles que têm dever funcional de atuar quando assim entenderem. Discutir um tema de suspeição não é discutir honorabilidade, esse nem foi o tema da coletiva. Discutir tema de suspeição é discutir os vícios que correspondem à condução de um processo”, afirmou Luís Inácio Adams. O governo reagiu à decisão do TCU em uma nota oficial. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República divulgou que a decisão do TCU é uma decisão que é um parecer prévio, que ainda será submetido à ampla discussão no Congresso Nacional por deputados e senadores. Segundo a nota, órgãos técnicos e jurídicos do governo têm a plena convicção de que não existem motivos legais para a rejeição das contas. E, segundo a nota, continuarão a debater as questões tratadas no parecer do tribunal para demonstração da absoluta legalidade das contas apresentadas.





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